Documentação

Como o Reflex calcula

Todo orçamento gerado pelo sistema sai de uma conta que pode ser refeita na mão. Esta documentação abre essa conta: as fórmulas, os coeficientes que a empresa regula, de onde vem cada quantidade de material e como as parcelas viram o total da proposta.

Público: clientes, vidraçarias e projetistasAtualizada em: agosto de 2026

Para quem é esta documentação#

Para quem recebeu uma proposta e quer conferir de onde saiu o número, e para quem opera o sistema e precisa entender o efeito de cada parâmetro antes de mexer nele. Não é um manual de uso das telas: aqui só se fala de conta.

Os exemplos desta documentação não são escritos à mão. Eles são calculados, na hora em que a página é publicada, pelos mesmos motores que o sistema usa para gerar um orçamento de verdade. Se a regra mudar no produto, os números destas páginas mudam junto.

Do vão ao preço#

Uma medida de fita métrica vira preço em quatro etapas. Cada uma tem uma responsabilidade só, e nenhuma delas adivinha nada da seguinte.

  1. Medida do vão

    Largura e altura em metros, mais as escolhas da obra: espessura do vidro, lado do recolhimento, se tem folha de giro, se precisa de içamento. É a única coisa que sai da cabeça de quem mede — o resto é consequência.

  2. Motor de geometria

    Cada família de produto tem o seu. Ele transforma o vão em medidas de fabricação (quantas folhas, de que largura, de que altura de corte) e em quantidade de cada insumo — metros de trilho, unidades de roldana, furos, tubos de silicone. Produz também o desenho técnico cotado, em primitivas que a tela desenha em SVG e o PDF redesenha vetorial.

  3. Linhas de orçamento

    Cada quantidade é casada com um produto do catálogo da empresa, que traz o preço e a unidade de cobrança (m², metro, unidade ou quilo). Daí sai a linha: preço unitário × quantidade.

  4. Totais

    Sobre a soma das linhas incidem, nesta ordem, a margem, os serviços cobrados em percentual, o transporte, o desconto e o acréscimo da forma de pagamento. A ordem importa e está inteira em Preço e orçamento.

Unidades e arredondamento#

Toda medida de entrada e de saída está em metros; área em metros quadrados; peso em quilos; dinheiro em reais. Nada é em centímetros ou milímetros, com uma exceção: a espessura do vidro, que é sempre em milímetros porque é assim que ela é comprada.

O queArredondamentoPor quê
Medidas de corte3 casas (1 mm)É a resolução com que a mesa de corte trabalha; abaixo disso o número é ficção.
Áreas, pesos e metros lineares2 casasUm centímetro quadrado de diferença não muda compra nem preço.
Contagens (folhas, roldanas, furos, tubos)Para cima, sempreNão existe meia folha nem 3/4 de tubo de silicone. Sobra material, nunca falta.
Dinheiro2 casas, a cada etapaO total é a soma de parcelas já arredondadas — é o que faz a conta bater com a que o cliente refaz na calculadora.

Como ler as fórmulas#

As fórmulas aparecem em blocos como o abaixo, com a legenda de cada símbolo logo em seguida. Só há uma notação especial: ⌈ ⌉, que significa arredondar para cima.

folhas = ⌈ largura envidraçada ÷ largura máxima da folha ⌉
       = ⌈ 3,59 m ÷ 0,70 m ⌉
       = ⌈ 5,13 ⌉
       = 6 folhas
⌈ x ⌉arredonda x para cima: 5,13 vira 6 — é assim que se decide o número de folhas.
× ÷multiplicação e divisão comuns.
m m²metro linear e metro quadrado.

Coeficientes: o que a empresa regula#

Boa parte dos números de uma conta não é lei da física — é o padrão de trabalho da vidraçaria: a largura máxima que ela aceita numa folha, quantas roldanas o sistema dela consome, de quantos em quantos centímetros ela fixa o trilho. Esses valores são coeficientes: vêm preenchidos com um padrão de mercado e podem ser alterados projeto a projeto, sem programador nenhum no meio.

Medidasdo vãoVêm da obra; ninguém discute.
Coeficientesda empresaPadrão de trabalho, editável por projeto.
Preçosdo catálogoPor empresa, com data e histórico.

Famílias de projeto#

Cada tipo de produto tem o seu motor, com as suas regras e o seu desenho. Elas são agrupadas como o mercado as separa — quem trabalha com vidro e quem trabalha com metal são, quase sempre, times diferentes.

Vidro#

Famílias em que o vidro é o produto: o cálculo sai da chapa, do peso e da ferragem que a sustenta.

Serralheria#

Famílias em que o produto é metal: o cálculo sai da barra comercial, do peso do perfil e do acabamento.

Norma técnica e responsabilidade#

Vidro e metal na fachada são assunto de norma ABNT, e o sistema conhece as principais: ele confere as medidas do projeto contra elas e avisa em destaque quando alguma coisa fica fora do que a norma pede.

O que ele nunca faz é bloquear. Existe obra atípica, existe reforma em prédio antigo, existe decisão técnica que contraria o caso geral — e quem responde por ela é a empresa que assina, não o software. Por isso o alerta de norma aparece na tela e no orçamento, mas a geração segue.