Documentação
Como o Reflex calcula
Todo orçamento gerado pelo sistema sai de uma conta que pode ser refeita na mão. Esta documentação abre essa conta: as fórmulas, os coeficientes que a empresa regula, de onde vem cada quantidade de material e como as parcelas viram o total da proposta.
Para quem é esta documentação#
Para quem recebeu uma proposta e quer conferir de onde saiu o número, e para quem opera o sistema e precisa entender o efeito de cada parâmetro antes de mexer nele. Não é um manual de uso das telas: aqui só se fala de conta.
Os exemplos desta documentação não são escritos à mão. Eles são calculados, na hora em que a página é publicada, pelos mesmos motores que o sistema usa para gerar um orçamento de verdade. Se a regra mudar no produto, os números destas páginas mudam junto.
Do vão ao preço#
Uma medida de fita métrica vira preço em quatro etapas. Cada uma tem uma responsabilidade só, e nenhuma delas adivinha nada da seguinte.
- Medida do vão
Largura e altura em metros, mais as escolhas da obra: espessura do vidro, lado do recolhimento, se tem folha de giro, se precisa de içamento. É a única coisa que sai da cabeça de quem mede — o resto é consequência.
- Motor de geometria
Cada família de produto tem o seu. Ele transforma o vão em medidas de fabricação (quantas folhas, de que largura, de que altura de corte) e em quantidade de cada insumo — metros de trilho, unidades de roldana, furos, tubos de silicone. Produz também o desenho técnico cotado, em primitivas que a tela desenha em SVG e o PDF redesenha vetorial.
- Linhas de orçamento
Cada quantidade é casada com um produto do catálogo da empresa, que traz o preço e a unidade de cobrança (m², metro, unidade ou quilo). Daí sai a linha:
preço unitário × quantidade. - Totais
Sobre a soma das linhas incidem, nesta ordem, a margem, os serviços cobrados em percentual, o transporte, o desconto e o acréscimo da forma de pagamento. A ordem importa e está inteira em Preço e orçamento.
Unidades e arredondamento#
Toda medida de entrada e de saída está em metros; área em metros quadrados; peso em quilos; dinheiro em reais. Nada é em centímetros ou milímetros, com uma exceção: a espessura do vidro, que é sempre em milímetros porque é assim que ela é comprada.
| O que | Arredondamento | Por quê |
|---|---|---|
| Medidas de corte | 3 casas (1 mm) | É a resolução com que a mesa de corte trabalha; abaixo disso o número é ficção. |
| Áreas, pesos e metros lineares | 2 casas | Um centímetro quadrado de diferença não muda compra nem preço. |
| Contagens (folhas, roldanas, furos, tubos) | Para cima, sempre | Não existe meia folha nem 3/4 de tubo de silicone. Sobra material, nunca falta. |
| Dinheiro | 2 casas, a cada etapa | O total é a soma de parcelas já arredondadas — é o que faz a conta bater com a que o cliente refaz na calculadora. |
Como ler as fórmulas#
As fórmulas aparecem em blocos como o abaixo, com a legenda de cada símbolo logo em seguida. Só há uma notação especial: ⌈ ⌉, que significa arredondar para cima.
folhas = ⌈ largura envidraçada ÷ largura máxima da folha ⌉
= ⌈ 3,59 m ÷ 0,70 m ⌉
= ⌈ 5,13 ⌉
= 6 folhasCoeficientes: o que a empresa regula#
Boa parte dos números de uma conta não é lei da física — é o padrão de trabalho da vidraçaria: a largura máxima que ela aceita numa folha, quantas roldanas o sistema dela consome, de quantos em quantos centímetros ela fixa o trilho. Esses valores são coeficientes: vêm preenchidos com um padrão de mercado e podem ser alterados projeto a projeto, sem programador nenhum no meio.
Famílias de projeto#
Cada tipo de produto tem o seu motor, com as suas regras e o seu desenho. Elas são agrupadas como o mercado as separa — quem trabalha com vidro e quem trabalha com metal são, quase sempre, times diferentes.
Vidro#
Famílias em que o vidro é o produto: o cálculo sai da chapa, do peso e da ferragem que a sustenta.
Cortina de vidro: do vão medido às folhas, à ferragem, ao desenho cotado e ao orçamento.
Box de banheiro →De correr ou de abrir: transpasse, porta e painel fixo, e a ferragem que muda com a variante.
Guarda-corpo →A família com mais norma em cima: composição do vidro, altura, pontos de ancoragem e carga.
Porta de vidro →Pivotante, mola de piso ou de correr, com bandeira e fixo — o vão inteiro, não só a folha.
Espelho →O eixo é o peso, não a área: fita, botões ou moldura saem de quantos quilos a peça tem.
Caixa de ar-condicionado →Perfil de alumínio face a face: cada face fechada com vidro, veneziana, chapa ou aberta.
Peça avulsa →Tampo, prateleira, nicho e reposição — com mínimo faturável por peça e percentual de perda.
Esquadria de alumínio →Linha 25 (Suprema): a cadeia de descontos do vão até o vidro e a lista de corte em barras de 6 m.
Serralheria#
Famílias em que o produto é metal: o cálculo sai da barra comercial, do peso do perfil e do acabamento.
O núcleo das quatro famílias de metal: empacotamento em barra comercial, peso por metro, pintura pelo perímetro da seção e solda.
Portão →Folha, postes, trilho e automação — com os alertas da NBR 16006 e o peso que decide o motor.
Grade de proteção →Quadro, preenchimento e o vão real entre barras — mais o alerta de rota de fuga da NBR 9077.
Corrimão metálico →Corrimão, guarda-corpo e escada inclinada, com as checagens da NBR 14718, 9077 e 9050.
Estrutura e cobertura →Pórticos, terças e telha: quantidade, peso por m² e o alerta de projeto estrutural em todo projeto.
Norma técnica e responsabilidade#
Vidro e metal na fachada são assunto de norma ABNT, e o sistema conhece as principais: ele confere as medidas do projeto contra elas e avisa em destaque quando alguma coisa fica fora do que a norma pede.
O que ele nunca faz é bloquear. Existe obra atípica, existe reforma em prédio antigo, existe decisão técnica que contraria o caso geral — e quem responde por ela é a empresa que assina, não o software. Por isso o alerta de norma aparece na tela e no orçamento, mas a geração segue.